• Como controlar e prevenir a pressão alta

    Segundo o Ministério da Saúde, 24% da população brasileira sofre de pressão alta, condição que triplica as chances de uma pessoa ter um infarto. Apesar de perigosa para a saúde, a hipertensão pode ser controlada e, inclusive, ser evitada. Algumas vezes nem são necessários medicamentos para manter a pressão controlada, basta mudar hábitos de vida, como praticar esportes regulamente, diminuir o consumo de sal e adotar uma alimentação saudável.
    O cardiologista arritmologista André Pacheco alerta que 90% das pessoas hipertensas não apresentam sintomas e, como consequência, podem receber o diagnóstico só após sofrer um ataque cardíaco ou derrame cerebral. “É indispensável que todas as pessoas, independente da idade ou condição física, meçam sua pressão pelo menos uma vez ao ano”, orienta André. Considera-se que uma pessoa é hipertensa se os níveis da pressão arterial forem iguais ou superiores a 140/90 ou, popularmente, 14/9.

    Pressão alta impede que sangue flua corretamente

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    Diariamente, circulam pelas artérias do corpo humano cerca de cinco litros de sangue. As artérias são como canos e, quando saudáveis, o sangue flui por elas sem nenhum problema. Mas, nas pessoas que sofrem de pressão alta, as artérias parecem túneis apertados, que impedem que o sangue circule com facilidade, pressionando as paredes desses túneis.
    “Estudos mostram que as paredes das artérias dos hipertensos são 20% mais grossas do que o normal”, compara André. As lesões que a hipertensão causa às artérias são semelhantes às provocadas pela velhice. Tanto em pacientes com pressão alta, mesmo sendo jovens, quanto em idosos é grande a incidência da arterosclerose — um endurecimento das artérias.

    Sintomas são raros

    Muitas vezes a pessoa nem sabe que tem pressão alta porque os sintomas, como dor de cabeça, falta de ar e distúrbios na visão, só surgem quando o estado já é grave. No Brasil, apenas 1 a cada 10 hipertensos trata a pressão alta. “É uma doença silenciosa, mas muito perigosa e, em alguns casos, pode provocar a morte”, destaca o cardiologista.

    Estresse e nervosismo aumentam a pressão

    Situações de stress fazem o corpo liberar hormônios (substâncias que regulam o funcionamento do organismo) que contraem os vasos sanguíneos e fazem a pressão subir. Porém, passado o momento crítico, a produção dos hormônios volta ao normal e, consequentemente, a pressão também. Algumas pessoas ficam tão tensas quando vão ao médico que apresentam pressão elevada no consultório. Por isso é importante avaliar a pressão ao longo do dia, o que já é possível fazer com a utilização de um pequeno aparelho chamado MAPA. O cardiologista prende o aparelho na cintura do paciente e conecta-o a braçadeiras. O aparelho registra a pressão arterial a cada 20 minutos, durante 24 horas, em diferentes situações comuns ao paciente, como dormir, dirigir, trabalhar etc.
    Leia mais sobre o MAPA: http://drandrepacheco.com.br/exames-e-procedimentos-cardiacos/

    Prevenção e controle

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    A gravidade e o tratamento de cada caso só pode ser analisado por um cardiologista, porém, algumas medidas podem prevenir e até mesmo ajudar a controlar a pressão alta, conforme explica André: “Uma dieta à base de alimentos saudáveis e a prática de exercícios físicos é, muitas vezes, suficiente para prevenir e até mesmo controlar uma hipertensão mais leve. Entretanto, em muitos casos é necessário prescrever medicamentos para evitar infarto, derrame e outras complicações causadas pela pressão alta”, sustenta.
    De maneira geral, algumas dicas fazem bem a todas as pessoas e, em especial, ajudam os hipertensos a viver mais e melhor:
    • Faça exercício físico: de acordo com a Faculdade de Medicina de Connecticut, nos Estados Unidos, andar de bicicleta 30 minutos por dia ajuda a reduzir a pressão sanguínea de pacientes com hipertensão leve. Pesquisadores compararam a pressão de 12 voluntários hipertensos, antes e depois do exercício. Depois de pedalar, a pressão sanguínea dessas pessoas praticamente normalizou. O efeito dura cerca de 13 horas.
    • Diminua o consumo de sal e de sódio: o sódio é um dos principais componentes do sal e está presente em diversos alimentos industrializados. Quando não é eliminado pela urina, ele fica circulando pela corrente sanguínea. Para manter o equilíbrio, o sangue acaba retendo água e, consequentemente, aumenta de volume, pressionando ainda mais as paredes das artérias. Como se não bastasse um volume maior circulando nos vasos sanguíneos, o sal também provoca contração dos vasos mais finos e atrai água para as paredes, aumentando sua espessura.
    • Não fume: o cigarro possui componentes que provocam depressão nas paredes das artérias e ali se depositam partículas do sangue chamadas plaquetas. Essas plaquetas acumulam e a região pode inflamar, formando uma calosidade que obstrui a artéria, diminuindo ainda mais o espaço para o sangue circular.
    • Evite a obesidade: quando uma pessoa está acima do peso, o corpo passa a produzir glicose em maior quantidade. Consequentemente, aumenta também a produção de insulina, que faz contrair as artérias, elevando a pressão sanguínea.
    • Não exagere no álcool: cerca de 100 gramas de álcool por dia já aumenta a pressão sanguínea. A medida equivale a duas doses de uísque ou 660 mililitros de cerveja (aproximadamente duas latas).
    • Alivie o stress: como já falamos, situações de stress e o nervosismo disparam a produção de hormônios que contraem os vasos sanguíneos, prejudicando a passagem do sangue.

    Tratamento inclui medicamentos para a vida toda remédio-pressão-alta

    Hoje, existem diversos remédios para hipertensão. Mas, se a pessoa deixar de tomá-los, o aperto nas artérias reaparece. “Esses medicamentos são muito eficazes para evitar infartos e derrames cerebrais, mas não são eficientes contra a isquemia, situação em que os vasos do coração ficam deformados, o órgão recebe menos sangue e não funciona direito”, alerta André. O cardiologista destaca que a prevenção e o acompanhamento médico especializado compõem a receita médica mais eficiente para evitar complicações decorrentes da pressão alta.

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